Sabedor da situação, o gato que tudo escutava, virou-se para o coronel e falou com tom de deboche:
- Mas claro coronel! Faremos tudo que estiver ao nosso alcance!
Conhecendo o jeito esperto do gato, a onça não tardou a se apresentar também:
- É coronel, NÓS faremos tudo que estiver ao nosso alcance...
- Bando de bichos fingidos!- pensei eu. Todos se fazendo de gentis para tirar proveito da situação! Quanta malandragem! Quanta esperteza! Mas não há de ser nada, eu também não vou ficar aqui me roendo!
Me despedi e sai. Fui em frente, continuei pedalando pela alameda matutando sobre o ocorrido.
Me dei conta que quando vejo alguém dando uma de esperto, fico fula da vida querendo mostrar que percebi, que também sou esperta.
Depois de pedalar mais uns 2 km numa estrada cheia de buracos e pedrinhas, percebi que quando alguém dá uma de esperto, está pensando só nele mesmo. Não está considerando as qualidades e atributos do outro. É só ele.
Quando cheguei no quilometro 7, já não me importava mais quem era realmente esperto.
Tudo que eu via era o percurso, o quanto eu já havia pedalado e o que vinha pela frente. Não havia mais gato, nem onça no meu caminho. Todos ficaram para trás. O melhor mesmo ainda estava por vir...
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